“Artes Clandestinas” ou Vandalismo?
No último final de semana estava em Ribeirão Preto para uma conferência e não pude deixar de reparar que as pichações por lá – ao menos no bairro onde estava hospedado e na região do centro de convenções – são um pouco menores do que em nossa querida cidade. Estamos vivendo uma época cujas “artes clandestinas” invadem nossos espaços públicos e também privados.
Ações como as que observamos recentemente em Bauru e São Paulo, para ficarmos com somente dois exemplos, levam-nos a refletir sobre quais tratamentos precisamos implantar para solucionar o problema. Particularmente sou contrário até mesmo aos grafites como forma de protesto, pois tivemos outras formas, no passado, mais eficientes de desobediência civil, como os movimentos das suffragettes na Inglaterra e o papel de Mahatma Gandhi na Independência da Índia.
Há diversas formas de combate à esse, na minha opinião, ato de vandalismo. Não creio que a pura repressão por parte das forças policiais resolverão completamente o caso. Louvo ações educativas, mas esses projetosdenotam um tempo considerável para criar uma consciência coletiva, que pode ser alguns anos a até uma geração inteira. Encontramos, porém, em outros lugares, propostas interessantes, como a de Porto Alegre, onde taxistas e agentes de trânsito atuam como aliados na denúncia.
Existe, também, o outro lado dessa “opereta contemporânea”, que é o sofrimento dos pais com seus filhos. Em matéria do Jornal da Cidade de 09/12 é enfatizada a recomendação que os pais prestem maior atenção no comportamento dos filhos e até mesmo como forma de auto-proteção, posto que serão responsabilizados civilmente pelo delito dos filhos.
Devemos criar nós mesmos uma forma adequada a controlar e eliminar esse problema de nossa cidade. O que podemos fazer? Sugestões são bem vindas nesse blog.
PS: A foto que ilustra o post é do ato de vandalismo perpetrado contra a escola Ernesto Monte.
Atualização: Deixo, como complemento ao texto e ao comentário que fiz anteriormente, mais uma notícia. O Governador de São Paulo José Serra se mostra “perplexo” com o comentário do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, pedindo a soltura da jovem pichadora da Bienal de SP.
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em 11/dezembro/2008 às 10:01
Complementando o post, leio agora pela manha que o Ministro da Cultura, Juca Ferreira – um ex-militando estudantil, sem demérito algum pelo termo, mas ele passou anos em exílio no Chile – pediu ao governador de SP José Serra pela libertação da pichadora presa na Bienal desse ano.
Marcou-me uma frase dele:
Digo de antemão que nada tenho contra o ministro, pois nem o conheço, mas posso dizer, abertamente, que não concordo com sua análise da situação. Essas “manifestações de grupo” sao definidas como crime pela legislação devendo a ele fazer proposta de alteração de lei, se opositor for.
Reitero novamente meu repúdio à esses atos que classifico como de vandalismo e discordo da posição tomada pelo Ministro da Cultura. Ou as autoridades caminham de acordo com a “fria letra da lei” ou seremos dominados cada vez mais por demonstrações de “sinalizações de existência”.