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Playoff do Basquete Paulista

Postado no dia 9/dezembro/2010 em Comportamento, Esportes por André Eiras

Basquete Bauru Franca

Estive entre os inúmeros torcedores que foram aos dois jogos entre Itabom Bauru e Franca pelas quartas de final do Novo Paulista de Basquete no ginásio da Luso. O time bauruense mostrou garra e luta nos dois jogos como a grande equipe que é. Infelizmente deixamos escapar a vitória no último jogo por apenas 1 ponto. Mas não é exatamente sobre o jogo que gostaria de comentar.

Fui a alguns jogos do Tilibra/Copimax/Bauru em 2002, mesmo à época estar residindo fora da cidade. Foi um campeonato sensacional, com a conquista do título de campeão nacional. Lembro-me vivamente até hoje do entusiasmo da torcida, dos jogadores e da equipe técnica. Recordo-me também dos jogos sempre lotados.

Basquete Bauru Franca

Nos últimos dois dias, porém, tive uma decepção no ginásio: o grande número de palavrões, mensagens ofensivas e um imenso desacato e desrespeito contra o time adversário e os juízes. Não posso crer que meus conterrâneos tenham baixado tanto o nível nestes quase 8 anos em que estive fora de Bauru. Ouvi xingamentos dos mais variados tipos e sinto vergonha em repeti-los neste espaço.

O jogo foi excelente, de alta qualidade técnica e perdemos por somente 1 ponto contra um dos melhores times do país. Senti orgulho do time de minha cidade. Jogadores e equipe técnica são excelentes. Mas uma pequena parcela de sua torcida (obviamente poucos, menos de 10%) entristeceu-me imensamente.

Não sou nenhuma criança, tenho mais de 30 anos, calejado de inúmeras partidas esportivas como torcedor, mas ouvi expressões que corariam um “hooligan” inglês. Quando criança meu pai sempre me levava a jogos de futsal/volei/basquete por toda Bauru. Não se ouvia nem 10% do que ouvi ontem a noite. E havia crianças ao meu lado que repetiam os palavrões sem ao menos entender claramente seu conteúdo. Triste.

Só eu me senti ofendido por causa dos palavrões? Alguém também ficou indignado? Vamos debater nos comentários.

Marina Silva em Bauru

Postado no dia 29/julho/2010 em Política por André Eiras

Senadora Marina Silva no CONPEV

Estive  manhã de  hoje em um evento da candidata à Presidência Nacional pelo Partido Verde, Marina Silva, realizado pelo CONPEV (Conselhos de Pastores Evangélicos de Bauru). Embora tenha sido uma apresentação para pastores e líderes religiosos de Bauru e região, a Senadora Marina abordou alguns aspectos de sua plataforma política “laica”, por assim dizer, deixando um pouco de lado os pontos polêmicos como aborto e casamento homossexual, embora tenham sido abordados ao final da apresentação.

A candidata teve uma programação intensa na cidade, sendo que seu primeiro comício no Estado de São Paulo será logo mais a tarde na praça Rui Barbosa. Somente por esse detalhe nós bauruenses deveríamos ficar extremamente honrados. A escolha de Bauru como cidade inicial de uma longa jornada política é interessante em vários aspectos, evidenciando, assim, importância regional e nacional.

Inúmeros veículos de comunicação já escreveram a respeito da entrevista que a Senadora Marina deu à rádio Auri-Verde esta manha (podem ser lidas aqui, aqui e aqui), mas gostaria de dar meus dois centavos à discussão, sem ser partidário.

1 cent: Encontrei na senadora uma mulher preparada. O discurso que assisti, mesmo que breve, mostrou uma grande familiaridade com os temas centrais que serão abordados nestas eleições presidenciais.

2 cents: Antes de sua fala, uma das pessoas da comitiva de seu partido explicava formas de unir-se à campanha e tornar-se um correligionário, quando mencionou a dificuldade que o país enfrenta frente à pobre e fraca legislação de donativos via internet. A alusão foi, obviamente, com a campanha exitosa de Barack Obama nos EUA, que além de ser um sucesso em termos midiáticos, utilizando desde twitter (informacional) até redes sociais – como o Facebook -, obteve uma expressiva quantia em dinheiro de doações particulares. É um ponto que os outros dois presidenciáveis não estão abordando com a seriedade que observo na Senadora Marina. (Se estiver sendo leviano, corrijam-me nos comentários).

9 de Julho em Bauru

Postado no dia 9/julho/2010 em Política, Sociedade por André Eiras

Revolução esquecida. O ex-combatente Thiago de Oliveira: “brasileiro acima de tudo”.

Hoje pela manhã, ao abrir o Jornal da Cidade, deparei-me com dois deliciosos textos sobre o feriado de 9 de Julho, o do Tito Costa e uma matéria/entrevista com o único ex-combatente da Revolução Constitucionalista de 1932 ainda vivo, o Sr. Thiago de Oliveira, que ilustra a foto de abertura do post.

Um rápido resumo para quem não se recorda desse acontecimento: A Revolução Constitucionalista de 1932, ou também conhecida como Guerra Paulista, foi um movimento armado no Estado de SãoPaulo que propunha derrubar o Governo Provisório do Presidente Getúlio Vargas que havia retirado a autonomia dos Estados da Federação. Queriam também, como o nome sugere, a instauração de uma nova Constituição para o país.

Bauru teve uma relativa importância durante a Guerra Paulista devido ao grande entroncamento ferroviário que a cidade possuia então. Dois episódios ficaram na memória da cidade: o empastelamento de dois jornais , o “Correio de Bauru” e o “Diário da Noroeste”, ambos contrários a Getúlio Vargas.

A cidade ainda merece um trabalho historiográfico sobre sua participação na Revolução. Nos anos 1990, quando estava na graduação em História na USC, ouvi do Prof. João Francisco Tidei de Lima que no Museu Ferroviário Regional de Bauru havia uma ou duas caixas repletas de cartas e telegramas de combatentes. Não tenho informações se foram usadas para pesquisa – se alguém souber avise -, ficando aqui uma dica para um belo estudo. Bauru merece!

“Revolução” de 1964

Postado no dia 31/março/2009 em Política, Sociedade por André Eiras

Há exatos 45 anos atrás o Brasil passava por mais um golpe de Estado (o anterior tinha sido o de 1937, com Getúlio Vargas, implantando o chamado “Estado Novo”), cujos eventos políticos-militares tinham o objetivo de depor o governo do presidente João Goulart. A chamada “Revolução de 64″, assim descrita pelos militares, levou o país durante 21 anos a um governo militar, com 5 presidentes generais.

Em um resumo grosseiro, dada a importância e a complexidade desse período, o golpe de 64 está inserido na chamada “Guerra Fria” que pairava sobre o mundo da época, uma luta entre democracia e comunismo, e que setores mais conservadores da sociedade, dentre eles as Forças Armadas, alguns partidos políticos, como a UDN e o PSD, e a Igreja Católica, receosos do país transformar-se em um estado socialista, derrubaram o governo do presidente João Goulart.

Estou em viagem à São Paulo e escrevo rapidamente agora pela manhã, então não farei grandes análises histórico-políticas sobre o Golpe de 64, mas gostaria de fazer uma provocação (ao estilo do Antônio Abujamra), sabendo, de antemão, que poderei – e provavelmente irei – ser defenestrado. Sempre digo, a meus alunos e amigos, que do ponto de vista estratégico o Brasil foi correto em ter eliminado a ameaça socialista que pairava cá no país.


A história é definida pelos vencidos, alegoria que todos conhecemos. Partindo desse pressuposto, sabemos que o mundo capitalista e democrático suplantou o mundo socialista, onde, atualmente, somente 2 países ainda permanecem fiéis – Cuba e Coréia do Norte.  Dessa forma, o Brasil acertou, estrategicamente, em ficar ao lado dos vencedores. Sei que isso é uma análise que faço com uma boa distância temporal, e posso enxergar esse ponto de vista, mas, ainda assim, afirmo que tomamos a decisão certa.

E o que Bauru tem a ver com tudo isso? A ditadura militar foi para todo o país, e Bauru não ficou de fora. Alunos universitários foram perseguidos, presos e torturados em nossas cidades. Músicos foram proibidos, apartir de 68, de tocaram nos bailes músicas consideradas subversivas. Não discordo desses pontos, mas fiquemos, ao menos por enquanto, no golpe em si. Bauru não participou tão ativamente quanto nas revoltas de 32, quando nossa ferrovia teve papel fundamental no transporte das tropas constitucionalistas. Em 64 a movimentação militar ficou restrita basicamente ao Rio de Janeiro e algumas partes de São Paulo.

Quantos concordam e quantos discordam de mim? Não defendo aqui a ditadura, obviamente, pois a história já a julgou como nefasta no ponto de vista de direitos humanos, políticos e econômicos também. Mas defendo que, estrategicamente, o Brasil posicionou-se ao lado dos vencedores.  Qual sua opinião?

Atualização: Gostaria de deixar claro, aqui, que minha análise é meramente analítica quanto à estratégia utilizada pelos militares em posicionarem-se contra ou a favor da onda socialista que era detectada no governo Goulart, e não um posicionamento pessoal. Não sou, particularmente, favorável a nenhuma ditadura ou golpe de estado, pois, como seguidor de Cristo, entendo o que diz as escrituras em I Samuel 15:23 “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria”.  Pontuo, portanto, unicamente, se a estratégia foi ou não válida, observando com a distância temporal que me permito como professor de história.

Richard Wagner Nacional-Socialista

Postado no dia 19/março/2009 em Cultura, Lazer, Sociedade por André Eiras

“Deus prometeu a Abraão que Ele não destruiria Sodoma se pudesse encontrar 10 homens justos.. Eu tenho um pressentimento que a Alemanha só contará com um.”
Henning von Tresckow

Nessa expressão toda a esperança de uma Alemanha metida até o último fio de cabelo em uma guerra mundial, já  quase em seu final, é percebida no filme Operação Valquíria, que fui assistir nesta quarta feira no Alameda. A última película estrelada por Tom Cruise retrata a verídica história da última tentativa de assassinato perpetrada contra a vida de Adolf Hittler em 1944, já nos instantes finais da Segunda Guerra Mundial. Cruise vive o Cel. Claus von Stauffenberg que, em compania de vários oficiais alemães, planejam dar cabo a vida do führer com o intuito de aplicar um golpe no III Reich.

O filme é uma adaptação do alemão Stauffenberg (2004), produzido para a televisão, onde podemos encontrar um personagem melhor construído do que no estrelado por Tom Cruise, onde a vida do coronel antes dos eventos narrados no filme fica um pouco nebulosa – mesmo que não estrague o filme, em minha opnião. É, em sua essência, um filme histórico com a cara de documentário, cujo final já sabemos de antemão – Hittler vem a cometer suicídio em 1945 em meio a uma Berlim sitiada, cuja história encontramos no belíssimo filme “A Queda” -, da trama elaborada para assassinar Hittler e dar um “golpe de estado”, livrando asssim a Alemanha de uma derrota cachapante, além de uma imensa vergonha nacional. Foi um dos episódios marcantes no período final da Segunda Guerra, demonstrando o grande descontentamento dos oficiais e civis aos rumos militares e políticos tomados por Hittler e seus asseclas.

Um dos pontos altos do filme é a precisa recriação da Alemanha na década de 40, bem como a vestimenta militar alemã do período. Confesso que não prestei tanta atenção às honrarias e medalhas dos oficiais que apareceram em cena, mas, a priori, estão basicamente corretos. Mesmo assim, não esperem um filme clássico de guerra com cenas de ação e explosões pois não é essa sua intenção, mas um pretenso relato fiel do ocorrido. Ademais, não consigo me esquecer, mesmo nada disso ter sido retratado no filme, que o Brasil também lutou nessa guerra enviando 25mil soldados da Força Expedicionária Brasileira para a Itália, entre eles inúmeros bauruenses.

Ilustração de Wall Disney do símbolo da FEB

Ilustração de Wall Disney do símbolo da FEB

Não tenho em mãos, no momento, o número exato de pracinhas bauruenses que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, mas foram mais de 20 soldados – nem todos, entretanto, tendo efetivamente entrado em combate.  Bauru conta com uma Associação dos Ex-Combatentes na Rua Bandeirantes, uma quadra do colégio São José (lembro de ser lá, alguém tem outra informação?). Recordo de estar por lá a muitos anos atrás para um bate papo informal, a ouvir grandes histórias de heroísmo, como a de um ex-combatente (que infelizmente não me recordo de seu nome) que narrava como adquiriu suas inúmeras feridas provocadas por estilhaço de morteiro ao carregar, nas costas, um companheiro ferido para a retaguarda. O saudoso Pr. Lima, que em 2 ocasiões no passado foi pastor substituto da Igreja Batista Bereana, entre outras, lá era conhecido como Capitão Lima, também ex-combatente.

Histórias como essa devem ser resgatadas para homenagear nossa história local. Quando eu prestava o serviço militar obrigatório, tive o privilégio de desfilar na re-inauguração da Praça dos Expedicionários, no Bela Vista, em frente à TV Globo, e recordo vivamente do grande número de pracinhas que conosco desfilaram. Esse número tem caído drasticamente, devido em grande parte a idade avançada destes homens. Você conhece alguma bela história para nos contar? É amigo ou parente de um algum pracinha bauruense? Compartilhe conosco sua história aqui no blog.

PS: Quanto ao título do post, deve-se ao grande encanto que o compositor Richard Wagner exercia sobre Hittler, o considerando um grande nacionalista alemão e, também, pelo ódio compartilhado contra os judeus.

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