
Há exatos 45 anos atrás o Brasil passava por mais um golpe de Estado (o anterior tinha sido o de 1937, com Getúlio Vargas, implantando o chamado “Estado Novo”), cujos eventos políticos-militares tinham o objetivo de depor o governo do presidente João Goulart. A chamada “Revolução de 64″, assim descrita pelos militares, levou o país durante 21 anos a um governo militar, com 5 presidentes generais.
Em um resumo grosseiro, dada a importância e a complexidade desse período, o golpe de 64 está inserido na chamada “Guerra Fria” que pairava sobre o mundo da época, uma luta entre democracia e comunismo, e que setores mais conservadores da sociedade, dentre eles as Forças Armadas, alguns partidos políticos, como a UDN e o PSD, e a Igreja Católica, receosos do país transformar-se em um estado socialista, derrubaram o governo do presidente João Goulart.
Estou em viagem à São Paulo e escrevo rapidamente agora pela manhã, então não farei grandes análises histórico-políticas sobre o Golpe de 64, mas gostaria de fazer uma provocação (ao estilo do Antônio Abujamra), sabendo, de antemão, que poderei – e provavelmente irei – ser defenestrado. Sempre digo, a meus alunos e amigos, que do ponto de vista estratégico o Brasil foi correto em ter eliminado a ameaça socialista que pairava cá no país.

A história é definida pelos vencidos, alegoria que todos conhecemos. Partindo desse pressuposto, sabemos que o mundo capitalista e democrático suplantou o mundo socialista, onde, atualmente, somente 2 países ainda permanecem fiéis – Cuba e Coréia do Norte. Dessa forma, o Brasil acertou, estrategicamente, em ficar ao lado dos vencedores. Sei que isso é uma análise que faço com uma boa distância temporal, e posso enxergar esse ponto de vista, mas, ainda assim, afirmo que tomamos a decisão certa.
E o que Bauru tem a ver com tudo isso? A ditadura militar foi para todo o país, e Bauru não ficou de fora. Alunos universitários foram perseguidos, presos e torturados em nossas cidades. Músicos foram proibidos, apartir de 68, de tocaram nos bailes músicas consideradas subversivas. Não discordo desses pontos, mas fiquemos, ao menos por enquanto, no golpe em si. Bauru não participou tão ativamente quanto nas revoltas de 32, quando nossa ferrovia teve papel fundamental no transporte das tropas constitucionalistas. Em 64 a movimentação militar ficou restrita basicamente ao Rio de Janeiro e algumas partes de São Paulo.
Quantos concordam e quantos discordam de mim? Não defendo aqui a ditadura, obviamente, pois a história já a julgou como nefasta no ponto de vista de direitos humanos, políticos e econômicos também. Mas defendo que, estrategicamente, o Brasil posicionou-se ao lado dos vencedores. Qual sua opinião?
Atualização: Gostaria de deixar claro, aqui, que minha análise é meramente analítica quanto à estratégia utilizada pelos militares em posicionarem-se contra ou a favor da onda socialista que era detectada no governo Goulart, e não um posicionamento pessoal. Não sou, particularmente, favorável a nenhuma ditadura ou golpe de estado, pois, como seguidor de Cristo, entendo o que diz as escrituras em I Samuel 15:23 “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria”. Pontuo, portanto, unicamente, se a estratégia foi ou não válida, observando com a distância temporal que me permito como professor de história.