Feed

“Revolução” de 1964

Postado no dia 31/março/2009 em Política, Sociedade por André Eiras

Há exatos 45 anos atrás o Brasil passava por mais um golpe de Estado (o anterior tinha sido o de 1937, com Getúlio Vargas, implantando o chamado “Estado Novo”), cujos eventos políticos-militares tinham o objetivo de depor o governo do presidente João Goulart. A chamada “Revolução de 64″, assim descrita pelos militares, levou o país durante 21 anos a um governo militar, com 5 presidentes generais.

Em um resumo grosseiro, dada a importância e a complexidade desse período, o golpe de 64 está inserido na chamada “Guerra Fria” que pairava sobre o mundo da época, uma luta entre democracia e comunismo, e que setores mais conservadores da sociedade, dentre eles as Forças Armadas, alguns partidos políticos, como a UDN e o PSD, e a Igreja Católica, receosos do país transformar-se em um estado socialista, derrubaram o governo do presidente João Goulart.

Estou em viagem à São Paulo e escrevo rapidamente agora pela manhã, então não farei grandes análises histórico-políticas sobre o Golpe de 64, mas gostaria de fazer uma provocação (ao estilo do Antônio Abujamra), sabendo, de antemão, que poderei – e provavelmente irei – ser defenestrado. Sempre digo, a meus alunos e amigos, que do ponto de vista estratégico o Brasil foi correto em ter eliminado a ameaça socialista que pairava cá no país.


A história é definida pelos vencidos, alegoria que todos conhecemos. Partindo desse pressuposto, sabemos que o mundo capitalista e democrático suplantou o mundo socialista, onde, atualmente, somente 2 países ainda permanecem fiéis – Cuba e Coréia do Norte.  Dessa forma, o Brasil acertou, estrategicamente, em ficar ao lado dos vencedores. Sei que isso é uma análise que faço com uma boa distância temporal, e posso enxergar esse ponto de vista, mas, ainda assim, afirmo que tomamos a decisão certa.

E o que Bauru tem a ver com tudo isso? A ditadura militar foi para todo o país, e Bauru não ficou de fora. Alunos universitários foram perseguidos, presos e torturados em nossas cidades. Músicos foram proibidos, apartir de 68, de tocaram nos bailes músicas consideradas subversivas. Não discordo desses pontos, mas fiquemos, ao menos por enquanto, no golpe em si. Bauru não participou tão ativamente quanto nas revoltas de 32, quando nossa ferrovia teve papel fundamental no transporte das tropas constitucionalistas. Em 64 a movimentação militar ficou restrita basicamente ao Rio de Janeiro e algumas partes de São Paulo.

Quantos concordam e quantos discordam de mim? Não defendo aqui a ditadura, obviamente, pois a história já a julgou como nefasta no ponto de vista de direitos humanos, políticos e econômicos também. Mas defendo que, estrategicamente, o Brasil posicionou-se ao lado dos vencedores.  Qual sua opinião?

Atualização: Gostaria de deixar claro, aqui, que minha análise é meramente analítica quanto à estratégia utilizada pelos militares em posicionarem-se contra ou a favor da onda socialista que era detectada no governo Goulart, e não um posicionamento pessoal. Não sou, particularmente, favorável a nenhuma ditadura ou golpe de estado, pois, como seguidor de Cristo, entendo o que diz as escrituras em I Samuel 15:23 “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria”.  Pontuo, portanto, unicamente, se a estratégia foi ou não válida, observando com a distância temporal que me permito como professor de história.

Richard Wagner Nacional-Socialista

Postado no dia 19/março/2009 em Cultura, Lazer, Sociedade por André Eiras

“Deus prometeu a Abraão que Ele não destruiria Sodoma se pudesse encontrar 10 homens justos.. Eu tenho um pressentimento que a Alemanha só contará com um.”
Henning von Tresckow

Nessa expressão toda a esperança de uma Alemanha metida até o último fio de cabelo em uma guerra mundial, já  quase em seu final, é percebida no filme Operação Valquíria, que fui assistir nesta quarta feira no Alameda. A última película estrelada por Tom Cruise retrata a verídica história da última tentativa de assassinato perpetrada contra a vida de Adolf Hittler em 1944, já nos instantes finais da Segunda Guerra Mundial. Cruise vive o Cel. Claus von Stauffenberg que, em compania de vários oficiais alemães, planejam dar cabo a vida do führer com o intuito de aplicar um golpe no III Reich.

O filme é uma adaptação do alemão Stauffenberg (2004), produzido para a televisão, onde podemos encontrar um personagem melhor construído do que no estrelado por Tom Cruise, onde a vida do coronel antes dos eventos narrados no filme fica um pouco nebulosa – mesmo que não estrague o filme, em minha opnião. É, em sua essência, um filme histórico com a cara de documentário, cujo final já sabemos de antemão – Hittler vem a cometer suicídio em 1945 em meio a uma Berlim sitiada, cuja história encontramos no belíssimo filme “A Queda” -, da trama elaborada para assassinar Hittler e dar um “golpe de estado”, livrando asssim a Alemanha de uma derrota cachapante, além de uma imensa vergonha nacional. Foi um dos episódios marcantes no período final da Segunda Guerra, demonstrando o grande descontentamento dos oficiais e civis aos rumos militares e políticos tomados por Hittler e seus asseclas.

Um dos pontos altos do filme é a precisa recriação da Alemanha na década de 40, bem como a vestimenta militar alemã do período. Confesso que não prestei tanta atenção às honrarias e medalhas dos oficiais que apareceram em cena, mas, a priori, estão basicamente corretos. Mesmo assim, não esperem um filme clássico de guerra com cenas de ação e explosões pois não é essa sua intenção, mas um pretenso relato fiel do ocorrido. Ademais, não consigo me esquecer, mesmo nada disso ter sido retratado no filme, que o Brasil também lutou nessa guerra enviando 25mil soldados da Força Expedicionária Brasileira para a Itália, entre eles inúmeros bauruenses.

Ilustração de Wall Disney do símbolo da FEB

Ilustração de Wall Disney do símbolo da FEB

Não tenho em mãos, no momento, o número exato de pracinhas bauruenses que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, mas foram mais de 20 soldados – nem todos, entretanto, tendo efetivamente entrado em combate.  Bauru conta com uma Associação dos Ex-Combatentes na Rua Bandeirantes, uma quadra do colégio São José (lembro de ser lá, alguém tem outra informação?). Recordo de estar por lá a muitos anos atrás para um bate papo informal, a ouvir grandes histórias de heroísmo, como a de um ex-combatente (que infelizmente não me recordo de seu nome) que narrava como adquiriu suas inúmeras feridas provocadas por estilhaço de morteiro ao carregar, nas costas, um companheiro ferido para a retaguarda. O saudoso Pr. Lima, que em 2 ocasiões no passado foi pastor substituto da Igreja Batista Bereana, entre outras, lá era conhecido como Capitão Lima, também ex-combatente.

Histórias como essa devem ser resgatadas para homenagear nossa história local. Quando eu prestava o serviço militar obrigatório, tive o privilégio de desfilar na re-inauguração da Praça dos Expedicionários, no Bela Vista, em frente à TV Globo, e recordo vivamente do grande número de pracinhas que conosco desfilaram. Esse número tem caído drasticamente, devido em grande parte a idade avançada destes homens. Você conhece alguma bela história para nos contar? É amigo ou parente de um algum pracinha bauruense? Compartilhe conosco sua história aqui no blog.

PS: Quanto ao título do post, deve-se ao grande encanto que o compositor Richard Wagner exercia sobre Hittler, o considerando um grande nacionalista alemão e, também, pelo ódio compartilhado contra os judeus.

O Curioso Caso de Uba-Uru

Postado no dia 5/fevereiro/2009 em Comportamento, Cultura, Sociedade por André Eiras

Dando um pequeno descanso a minha mente, como todo estudante/concurseiro precisa, fui ao Alameda assistir ao excelente filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O filme narra a inusitada história de um homem que nasceu velho e vai tornando-se, aos poucos, jovem. Interpretado por Brad Pitt e Cate Blanchett, o filme é indicado a várias categorias do Oscar, a premiação de Hollywood (que não constará com nenhum filme brasileiro este ano).  O filme suscita diversas análises e deixa o expectador reflexivo por algum tempo, principalmente com um tema caro a todos: Qual é a “melhor idade”? A juventude ou a maturidade?

Podemos também transpor algumas reflexões sobre nossa cidade, e perguntarmo-nos se qual “idade” estamos vivendo. Estamos seguindo o curso natural do desenvolvimento ou voltando à infância? Realmente somos “sem limites” ou definidos por padrões pré-concebidos no âmbito político-econômico-social? Claro que são questões difíceis de serem respondidas e nem é de meu interesse, aqui nesse pequeno post, querer saná-las. Mas proponho uma breve meditação.

Tudo começa em meados do séc. XIX, onde pioneiros exploram a região centro oeste paulista. “Prospecção de novos negócios” é uma tendência econômica/administrativa moderna não? Desde seu início até a vinda da ferrovia para cá – em um resumo grosseiro de nossa história que faço -, Bauru vive da agricultura e da lavoura. Realmente, preocupação com comida é coisa do passado, correto? E claro, como poderia me esquecer, a introdução de ferrovias, que por essas bandas ocorreu em apartir de 1905,  é algo definitivamente antiquado e em completo desuso.

Um dos maior problemas que assola a europa, atualmente, é a questão da imigração. Claro que Bauru já teve “esse problema”, nas primeiras décadas do séc. XX. Mas espere? É um problema? Interessante observar que na cidade temos clubes e associações sócio-comerciais das mais diferentes nações, como a portuguesa (AALB), japonesa (Clube Nipo-Brasileiro), italiana (Dante Alighieri), etc, podendo ser mostrado diversos outros exemplos.

Poderia continuar a comparação entre juventude e velhice sobre a cidade (quem sabe em outros posts), mas deixo, como reflexão final ao post, uma cena do filme que muito me marcou. Benjamin (Pitt) está abraçado com sua mulher Daisy (Blanchett), defronte a um grande espelho, quando diz que gostaria de guardar para sempre aquela imagem dos dois, na plenitude de suas vidas, no que ele define com auge da felicidade, a “melhor idade” deles. Qual imagem Bauru legará à história? A de um passado progressista que consta nos livros de história ou o desenvolvimento que estamos vivendo? Qua ficará, verdadeiramente, ligado a nós, jovens?

Eclesiástes 11:9  – “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas.”

PS: Porque Uba-uru?

Caminhos do Centro Oeste Paulista

Postado no dia 28/janeiro/2009 em Cultura, Economia, Sociedade por André Eiras

Dando continuidade ao post do Renato Cardoso, vamos continuar a falar de turismo. Ele sempre nos remete à viagens de férias com a família ou amigos, descanso em alguma praia paradisíaca, entre outras modalidades de relaxamento e lazer da labuta diária. Mas não é somente isso. O turismo é também observado numa visão estratégica de desenvolvimento sustentável e como alternativa para o desenvolvimento comercial regional. Dentro dessa visão o CODER (Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional, entidade da CIESP), o SEBRAE-SP e o Instituto Soma formataram em conjunto o projeto Circuito Turístico Caminhos do Centro Oeste Paulista.

O projeto, em parceria com o Instituto Soma, em forma de Circuito Turístico, engloba 10 cidades – Agudos, Avaí, Arealva, Bauru, Duartina, Iacanga, Lençois Paulista, Macatuba, Pederneiras e Piratiniga – está atualmente em etapa de implementação, onde será estruturado os atrativos turísticos e comerciais das cidades e a formatação dos roteiros. Com essa união será possível contribuir com o desenvolvimento sócio econômico e cultural da região de forma sustentável, inserindo as cidades e a região no mercado estadual e nacional de turismo, cultura e artesanato, assim como consolidar seus roteiros turísticos.

A região central é estratégica tanto comercialmente quanto geograficamente, tendo Bauru uma grande influência. Nossa cultura é rica e deve ser explorada em todos os fatores. Creio ser uma incrível iniciativa para nossa cidade e região e o Bauru Blog dá total apoio a essa iniciativa. Espero que proprietários e administradores de recursos turísticos, de hospedagem, alimentação e de artesanato na nossa cidade embarquem nesse projeto e juntos possibilitem a grande reabilitação da cidade e da região que tanto ansiamos nestes tempos.

Graduação em Relações Internacionais em Bauru

Postado no dia 15/janeiro/2009 em Comunicados, Economia, Política por André Eiras

Nos anos 60 e 70 era charmoso cursar alguma das ciências sociais clássicas, como a História e principalmente a Sociologia. Atualmente o novo “the apple of one’s eyes” são os estudos das chamadas Relações Internacionais, que é o novo curso de graduação lançado em Bauru pelo IESB/Preve. O estudo das Relações Internacionais vem crescendo ano após ano e Bauru, como grande pólo regional, não poderia esquivar-se de oferecer um curso desse nível.

O que, basicamente, trata o estudos das Relações Internacionais? Os temas que antes intrigavam somente a diplomatas e algumas organizações internacionais intergovernamentais, como a ONU, por exemplo, hoje preocupam ONG’s (Organizações Não-Governamentais), diversas OI’s (Organizações Internacionais), empresas privadas, multinacionais e agências de cooperação estrangeira.

Podemos resumir os campos de pesquisa em Política Externa, Economia Política Internacional, Instituições Internacionais, Processos de Globalização e Integração Regional, Segurança Internacional entre outras.

Grandes cidades, como São Paulo, Curitiba e Salvador, por exemplo,  já incluem, em sua relação de Secretarias e Assessorias, divisões públicas para projetar suas cidade no cenário internacional e estabelecer contatos e parcerias com o empresas no exterior. Um profissional gabaritado nessa área do conhecimento será de vital importância para Bauru e região, articulando e desenvolvendo projetos privados – auxiliando também o governo local- para maior desenvolvimento.

Bauru já conta, através do novo curso de RI do IESB, com mais uma oportunidade, tanto acadêmica quanto profissional, para nossa região. As incrições para o curso, através de avaliação por meio de agendamento, e para bolsas de estudos vão até o mês de Fevereiro. Espero, vivamente, que este novo e grande estímulo acadêmico venha a qualificar nossos profissionais para este novo mundo globalizado que já bateu à nossa porta e está sentado na sala, a espera do cafezinho. ;)