Como vai o senhor, professor?

Nesse fim de semana estive em Bauru e uma das minhas longas conversas com uma pessoa girou em torno da educação municipal.
Mas, dessa vez, a tônica do assunto não era o descaso dos governantes em relação à educação, nem a falta de merenda ou material e nem o conceito pedagógico.
Durante todo o sábado e o domingo ouvi relatos de uma pessoa, que prefere não se identificar, que refletem a falta de treinamento dos educadores da rede municipal bauruense.
É claro que não podemos generalizar, já que esses relatos se referem a apenas uma escola da cidade e a amostragem não seria adaptada à realidade das tantas EMEIIs (Escolas Municipais de Ensino Infantil Integradas) e EMEIs (Escolas Municipais de Ensino Infantil) de Bauru. De qualquer forma, estamos falando de um total de, mais ou menos, 500 crianças.
A queixa que eu ouvi foi que as professoras dessa escola agem, por vezes, de forma relapsa em relação aos cuidados com os alunos. Por exemplo, só escovam os dentes das crianças que comeram a merenda. Perguntam em alto e bom som: “Fulano, você comeu sua merenda?”. Se a criança diz que não, a professora a manda sair da fila. Tal atitude, de acordo com minha fonte, é porque as professoras não têm paciência de fazerem a higiene bucal de todas as crianças e acabam por diminuir a fila na hora da escovação.
Outro relato que ouvi foi que a prefeitura envia material pedagógico para trabalhos em sala de aula: cadernos, giz de cera, livros para colorir, massinha, tinta atóxica e lavável e outros tantos materiais para o desenvolvimento educativo-motor das crianças, mas esse conteúdo não é devidamente aproveitado, porque as professoras preferem manter as turmas em frente à TV, já que seria mais fácil controlá-las entretidas ali.
E, por fim, ouvi – o que considero pior – que em dias mais frios ou chuvosos as professoras “torcem” para que as mães não levem seus filhos à escola. Porque, justamente nesses dias fica inviabilizada a permanência dos pequenos no parquinho, fazendo com que o corpo pedagógico da escola tenha que ter mais criatividade na programação diária dos alunos.
Enfim, esse talvez não seja um texto jornalístico, porque não estou citando a fonte e nem o nome da escola. Mas, talvez seja um texto escrito por uma cidadã, que é mãe de um aluno em idade escolar. O que esperamos da escola? Que papel a escola tem na vida de uma criança que passa mais tempo ali do que em casa?
A “culpa” pela falta de empenho dos professores é deles? É do município? É do nosso sistema educacional? É dos baixos salários da categoria? Não sei responder e também não estou julgando aqueles educadores. Só estou relatando um fato que me assusta e quero dividir com a sociedade bauruense, pois acho que, pelo menos colocando em discussão, a gente já consiga fazer algo. Ou, pelo menos, pensar em algo.





