Carnaval em Bauru
Sou do tempo em que era realizado carnaval na Rua Batista de Carvalho, hoje o “Calçadão” voltado ao comércio.
Claro que, logo a seguir, continuei sendo do tempo do carnaval na Rodrigues Alves e, na minha opinião, a melhor época, porque havia uma química bem equilibrada, consistindo na saída dos clubes sociais à rua e disputando o título. Depois cada clube dava continuidade ao seu carnaval em seus salões.
O carnaval de rua podia ser encarado, sob o ponto de vista marketing, um “teaser” ou mesmo degustação do que poderia ser encontrado em cada salão de nossos clubes.
Entravam na festa o BTC, o Luso, BAC e Bancários. As escolas de samba optavam por este ou aquele clube e aí eram formadas uma espécie de escola de samba nos moldes dos carnavais do Rio de Janeiro e São Paulo.
Isso mesmo, com em média cinco carros aloegóricos, rei, rainha, bateria, blocos e animação… muita animação. Um fio corria toda avenida para dar condições técnicas ao puxador do samba.
Havia enredo e samba enredo e muitos se destacaram neste aspecto.
Depois a festa foi para a Avenida Nações Unidas e por lá ficou por dois ou três anos. A Globo fazia da festa o seu programa de maior audiência, com a CESP cedendo um imenso guindaste que fazia as vezes de “grua”, para abrigar as câmeras pan com vista para toda avenida.
Um dia, um brlhante prefeito decidiu construir o “sambódromo” e não sei se por essa razão ou por ter passado do ponto, o “samba morreu”.
Hoje e para este ano, sabemos que teremos apenas uma noite de carnaval de rua e assim mesmo com todas as antigas escolas se juntando e com investimento por parte da prefeitura.
Veja como podiam ser as coisas: tá dando certo, deixa como está.
Tanto mudaram e tanto foi tirado proveito político de nossa festa mais popular, que chegou ao ponto em sentido contrário à letra da música: “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar” …
E acabou morrrendo.
Bumbo em toque lento em saudação ao falecido.
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