Dia das Mulheres: o anti-heroismo feminino

Devo ser uma mulher às avessas. Não gosto do Dia das Mulheres. Serei queimada em praça pública como queimaram os sutiãs por essa afirmação, assim, à queima roupa?
Elas lutaram tanto por direitos iguais, para serem tratadas com respeito e reconhecimento. Foram à forra, estão conseguindo bons salários, têm força política, ocupam a mesma, ou até mais, autonomia em relação ao controle familiar.
As mulheres, ao longo dos séculos, vêm conseguindo fazer uma revolução na sociedade. Conseguem dia-a-dia, ação-a-ação, luta-a-luta fazer que as enxerguem como seres-humanos completos, dotados de competência e força, sensibilidade e emoção.
E aí me questiono: porquê existe um dia para mulheres? Concordo que realmente tenhamos que comemorar a nossa emancipação e que nos solidarizar com a causa, principalmente daquelas operárias que foram assassinadas na fábrica de tecidos em 1857, nos Estados Unidos (daí a homenagem pelo Dia Internacional da Mulher).
Agora, festejar o 8 de março como o meu dia, eu não consigo. Me soa como a afirmação do preconceito. Como se realmente fôssemos menores em algum aspecto para precisar de um dia para enaltecer.
Além do que o fator comercial é o que sustenta esse dia, pelo menos aqui no Brasil. É só passar o carnaval para a publicidade começar a bater forte no presente para a mãe, a namorada, a filha, a colega de trabalho…
Não estive em Bauru nesses últimos dias, mas aposto que as vitrines do Bauru Shopping e da Batista de Carvalho devem estar cheias dos mais variados apelos. O Dia das Mulheres é o mote comercial da vez, antes da Páscoa e do Dia das Mães.
Bem, pode ser que muitas mulheres discordem de mim e é natural. Mas, fica aqui o meu manifesto para o Dia Internacional da Mulher!
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