Leishmaniose: um perigo real para animais e pessoas
Fazia três meses que ele mancava de uma perna, que já não se alimentava bem, que tinha feridas pelo corpo todo e manchas na pele. Seus pelos, antes tão brancos, agora já se pintavam de vermelho, cor do sangue que os machucados soltavam. Os veterinários medicavam com corticóide e ele melhorava. Chegou um ponto que não havia mais melhora. E, então, o que temíamos foi constatado. Shibo tinha sido infectado com leishmaniose. Em uma manhã ensolarada, ele foi entregue ao veterinário para que fosse sacrificado. Uma escolha dura e difícil. Divididos entre o sentimento de pena e culpa, ele foi entregue. A decisão ocorreu quando começou a soltar sangue pelo nariz e na urina. Sintomas mais do que explícitos de que a doença já o estava matando.
Shibo era um boxer branco, tinha cinco anos e sempre foi um cachorro muito alegre. Chegava a irritar, com seus pulos, lambidas e latidos. Sempre à postos, defendendo o quintal e fazendo festa quando alguém chegava em casa. Apesar do latido forte, parecia inofensivo. Um espírito infantil, sempre brincalhão.
A leishmaniose, doença que matou Shibo, também chamada de “Úlcera de Bauru”, é uma patologia ainda sem cura, classificada como zoonose (doença dos animais que pode se transmitir ao homem). É infecciosa e parasitária. Não existe o contato de humano para humano, mas sim de animal para humano. A transmissão da Leishmania se faz pela picada de uma mosca, conhecida em algumas regiões do país como mosquito palha.
Triste, mas nem tão grave, é ver a doença em um cachorro. O problema é quando a doença passa do animal para os seres-humanos. Um mal com tratamento difícil e que pode vitimar pessoas.
A leishmaniose surgiu em Bauru, interior do estado de São Paulo. Há quase cem anos atrás, trabalhadores que construíam a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foram surpreendidos por uma estranha doença, que abria grandes feridas em seus órgãos internos. Por essa doença, que ficou conhecida como “Úlcera de Bauru” e não era noticiada em nenhuma outra cidade do Brasil, o município ocupou lugar na mídia nacional.
Agora, quase um século depois, Bauru ainda continua sendo a cidade de maior incidência da doença. Em notícia dada pela rádio 94FM, o Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde informa que recebeu, até junho de 2008, cinco novas confirmações de Leishmaniose Visceral Americana (LVA) em Bauru, encaminhadas pelo Instituto Adolfo Lutz. E o Jornal da Cidade noticia que já são totalizadas oito mortes neste ano.
As vítimas têm idade entre 1 e 18 anos e são moradores dos bairros: Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, Parque Santa Cândida, Jardim Nova Paulista e Vila Dutra. Com as novas confirmações, Bauru passa a totalizar 16 casos de LVA em 2008, com 1 óbito. No ano passado, foram 40 casos da doença, com 7 óbitos.
A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde (MS) apresentam as normas e condutas para a identificação e o tratamento de pacientes graves com leishmaniose visceral (LV). Além disso, o Centro de Controle de Zoonoses de cada município alerta para que os cães infectados sejam encaminhados para sacrifício.
Muito mais que sentir pena por sacrificar o bichinho de estimação, fica o senso de irresponsabilidade de manter um animal infectado em casa. Além de causar risco de infecção para os moradores, ainda pode ajudar a elevar o índice da doença na cidade como um todo. Além disso, outra medida preventiva é manter quintais e terrenos baldios sempre limpos, evitando o acúmulo de lixo orgânico em decomposição, já que o mosquito vetor se reproduz nesse cenário.
Serviço:
Centro de Controle de Zoonoses.
Endereço: Rua Henrique Hunziker, S/Nº. Bauru – SP.
Telefones: (14) 3281-2646 e 3281-7034.
Horário de Funcionamento: De segunda à sexta-feira, das 7h às 17h.
Fontes:
www.abcdasaude.com.br
www.94fm.com.br
www.jcnet.com.br
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em 16/março/2009 às 10:35
Olá, estou passando neste momento a mesma infelicidade pelo qual vc passou, meu amado pastor canadense de 4 anos que me lembra muito o seu boxer pela alegria de viver está doente também, vou ter que fazer algo que sempre disse que nunca faria e que é totalmente contra os meus princípos ……. como dói, mas enfim tenho uma filha de 1 ano e 8 meses que apesar de muito saudável nasceu prematura e tenho que pensar nela em primeiro lugar.
Mas enfim, o mais me revolta é ver que a prafeitura nada faz mesmo porque sinceramente eutanasiar cachorro é muito fácil, além é claro das pessoas porcas, nojentas e sem o mínimo de senso que esquecem que nossa cidade tem coleta de lixo 3x na semana e não podem ver um terreno baldio por perto para livrar-se do seu lixo, acabam não se dando conta de que o mosquito voa e pode picar vcs ou os seus.
A minha parte faço todos os dias limpando meu quintal, tendo citronela em casa, deixando meu lixo tampado. Posso ter sido relapsa ao não ter a alguns meses vacinado meus cães ( o que por um acaso já fiz com meu poodle adotado de rua e que graças a DEUS não pegou está doença).
Me revolta ter que MATAR uma amigo e companheiro pela porquice dos outros e pela negligência do poder público.
Parabéns pelo texto, me emocionei muito com ele me vi em você!
em 30/março/2009 às 22:03
Infelizmente fazer a nossa parte não é tudo. É necessário que os outros façam a deles também. Minha filhote de labrador também teve leishmaniose e teve que ser sacrificada. Ela tinha apenas um ano e foi muito difícil quando decobrimos a doença. O mais ´complicado é que descobrimos quando fomos dar a vacina, pois chegou a idade da vacina e fomos levá-la, mas antes de tomar a vacina é necessário fazer o exame para ver se o cão já tem a doença, e ela já tinha. Apesar de tudo ela não sofreu. Não tinha tido sintomas de sangramento, dores, problemas para comer, que são muito comuns nos casos de leishmaniose. Ela teve apenas algumas feridas, muito poucas. Descobrimos a doença logos no início, mas, mesmo assim, não havia cura.
Espero que o governo consiga controlar esta situação, porque os casos tem aumentado e conheço outras pessoas que já perderam seus cães assim.
em 18/outubro/2010 às 22:21
Discordo totalmente do ponto de vista desse texto em relação ao sacrifício de um animal que, na maioria das vezes, se torna parte da família. Acredito que quem manda sacrificar um animal de estimação não sente “pena” de estar tomando essa decisão, sente “dor” por estar perdendo um membro querido da família.
Quem escreveu esse texto mostra total desconhecimento sobre os atuais métodos de tratamento de LVC. É provado que existem procedimentos hoje em dia que, se não conseguem eliminar totalmente o parasita do animal, pelo menos conseguem eliminar todos os sintomas da doença e deixar o parasita “incubado”, sem risco de transmissão.
Imaginem comigo: Se hoje fosse descoberta uma doença altamente contagiosa(que não é o caso da LVC) em seres humanos e não houvesse cura para a mesma, vocês seriam a favor do sacrifício dessas pessoas por causa do risco de transmissão? E se um de seus filhos contraisse essa doença, você aceitaria que pessoas viessem à sua casa exigir a eutanásia?
Esse é um desabafo de alguém que convive com um cão portador de LVC e que, com responsabilidade, está fazendo todo o possível para dar a ele uma vida saudável e feliz!