O novo (velho) carnaval de Bauru
Li a primeira página do jornal Bom Dia de hoje, quarta-feira de cinzas de 2009, e anotei a presença do secretário de cultura de Bauru, Pedro Romualdo. A foto mostra Pedro sentado na arquibancada do Sambódromo de Bauru, afirmando que “se depender dele e da atual administração, o carnaval de 2010 volta a acontecer no Sambódromo”. Boa esta primeira preocupação. Agora vamos à segunda: quando começam os preparativos?
Como se sabe, o carnaval de Bauru estagnou-se, após anos de glórias que enfeitiçaram os bauruenses de todos os cantos, tornando o nosso carnaval um dos melhores do estado, com o primeiro sambódromo do interior brasileiro. Isso foi até o início dos anos de 2000, quando o prefeito Nilson Costa deixou de apoiar o carnaval de rua. Dali para frente… acabou!
O que se viu neste carnaval, que aconteceu na avenida Nações Unidas, foi a mostra de que tem muita gente que ainda quer viver o carnaval… e para essas pessoas, ali está a maior glória… seja com fantasia rica ou pobre. O que se quer, na verdade, é uma festa popular. A única e legítima festa literalmente popular que Bauru já teve. Mas acabaram com ela!
No ano de 2007, com verba aprovada pela Lei de incentivo à cultura do Ministério da Cultura, tentou-se trazer de volta o carnaval. Porém, o individualismo e a politicagem barata fizeram com que a proposta não vingasse. O incrível é que as pessoas que jogaram areia na realização da festa não fizeram absolutamente nada, além de vociferar e jogar palavras ao vento, como matracas condicionadas ao pessimismo.
Agora, com a disposição do secretário da cultura, Pedro Romualdo, mostrada na edição de hoje do Bom Dia, podemos ver alguma luz no fim do túnel. Mas é preciso começar agora… para que as palavras não sejam apenas palavras. É preciso que se busque a vocação de Bauru no carnaval, porque não basta copiar o Rio de Janeiro, já que perdemos a tradição das escolas.
Muita gente conhece carnaval em Bauru e pode ajudar nesta primeira reflexão: qual é a vocação de Bauru para o carnaval? Blocos, escolas de samba ou alguma outra ideia diferente. O professor Ricardo Carrijo, no programa Nota dez, do Tuba Filho, evidenciou: “houve uma ruptura e não é tão fácil retomar apenas porque existe uma história”.
E outra: o poder público não pode mais bancar o carnaval. É preciso que empresários entrem na festa, assim como acontece no ExpoBauru. Então, acredito que buscar a vocação, buscar os empresários e buscar os carnavalescos (sem aqueles que apenas gostam de bla-bla-bla) é um caminho. E vamos à festa! Que venha o carnaval 2010. Ahhhh… já ia me esquecendo: todos os anos fala-se do próximo carnaval… mas… quando começam os preparativos?
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