Precisamos mesmo de tantos carros?

Acabei de ler no JC que “Prefeitura de Bauru vai ter R$ 5 milhões a mais de IPVA”. Não sei se rio ou se choro. O jornal noticia que, de acordo com André Yanagui, assistente fiscal da Delegacia Regional Tributária, órgão vinculado à Secretaria Estadual da Fazenda, o aumento da arrecadação com o recolhimento do IPVA em Bauru segue uma tendência nacional. Ou seja, o número de carros cresce espantosamente no país todo.
E me pergunto: porque será que a aquisição de carros cresce tanto? Será que a população maior de 18 anos e com carteira de motorista cresce na mesma proporção?
Tenho alguns palpites. O primeiro e mais grave, em minha opinião, é que o carro deixou de ser um mero meio de transporte. O carro é objeto de desejo de grande parte das pessoas. Faz parte do imaginário coletivo. Não basta ter um bom carro, que não dê muita oficina… o que realmente importa é a imagem que as pessoas terão dentro dele. O quanto se sentirão com a auto-estima elevada dentro de um possante.
É claro que isso não é generalizado. Conheço um casal classe-média de Bauru que vendeu o carro por motivos libertários. Quer colaborar no combate ao aquecimento global. Vivem no Altos da Cidade e fazem tudo de bicicleta, a pé e, quando realmente precisam, usam um táxi. Seus três filhos estudam perto de casa e, assim, vão à escola de bike ou à pé. Fazem compras e pedem para o supermercado entregar. Enfim, adaptaram-se a um modo de locomoção bem raro, sobretudo em uma Bauru cada dia mais elitizada e glamurizada.
Admiro a atitude, mas não sei se as pessoas dariam conta de viver sem carro. O que não pode mais, e por diversas questões – aquecimento global, escassez do petróleo, poluição, excesso de veículos nas ruas, maior índice de acidentes de trânsito e etc – é famílias de quatro pessoas terem quatro carros.
Ah, e o pior de tudo, é que esse montante a mais do IPVA arrecadado em Bauru não será totalmente aplicado em investimentos na cidade. Apenas 2% voltará em benefício da população bauruense. É que uma lei diz que grande porcentagem deste valor pertence à máquina administrativa. Pois é, minha gente!
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