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Musseques de Bauru

Postado no dia 15/dezembro/2008 em Cultura,Mídia,Política,Sociedade por André Eiras

Vejo na Folha de SP que o IBGE divulgou, em sua Pesquisa de Informações Básicas Municipais, que um terço dos municípios brasileiros possuem favelas. Descubro também que Bauru consta, atualmente, com 22 favelas que abrigam 48 mil pessoas. São números expressivos que demonstram a fragilidade do tecido social bauruense, onde 25% de sua população vive abaixo da linha de pobreza, enquanto 20% detém 40% de sua renda total.

O Plano Diretor Participativo Bauruense, aprovado recentemente (Agosto de 2008), estabelece uma regularização da maioria das favelas, excetuando aquelas em locais de risco, o que possibilitará um maior acompanhamento da população das obras públicas.

Infelizmente tenho pouco contato com as favelas bauruenses, devido principalmente ao fato de morar em bairro de classe média e ter estado por anos morando fora, tendo, assim, uma visão “paulistana” de favela, que não considero como a realidade bauruense. Na capital paulista as discussões – ao menos na mídia impressa e nas rádios – diferem um pouco das bauruenses, excetuando a violência e o consumo/tráfico de intorpecentes.

A filmografia brasileira é rica em exemplos onde a favela transforma-se em um dos principais protagonistas do enredo. Os clássicos “Rio 40º” e “Cinco Vezes Favela“, da década de 50 e 60, e os atuais “Tropa de Elite“, “Cidade de Deus“, “Última Parada 174” tratam dessa temática, além de inúmeros documentários, como o excelente “BMW Vermelho” (que você pode assistir através deste link).

Há, entretanto, inúmeros projetos sociais, como o Arte na Favela e outros projetos multidisciplinares, como o promovido pela USP e UNESP de Bauru. Poderíamos também – por quê não? – importar de outras cidades idéias diferentes, como o “A favela vê a favela“, do Rio de Janeiro. Claro, são realidades diferentes, mas a adaptação desse tipo de ação é rapidamente adequada em qualquer comunidade onde haja disposição por parte dos planejadores.

E você? Tem alguma contribuição de idéias para oferecer à Bauru? Comente também.

* A foto que ilustra o início do post é do documentário Favela Rising, vencedora do prêmio de melhor documentário do mundo de 2005 pelo IDA (International Documentary Association).

PS: Curioso a respeito do que significa Musseque?

Crítica e Elogio

Postado no dia 13/dezembro/2008 em Comportamento,Cultura,Lazer por André Eiras

Quarta-Feira é o meu “Sábado Cultural”. Devido às atividades de Sábado e Domingo na Igreja Batista Bereana, onde congrego,  é sempre durante a semana que posso aproveitar e desopilar em algum cinema, um show musical, ou outra manifestação cultural que me obrigo sempre a realizar. Nessa semana não foi diferente e fui, já de costume, ao Alameda Quality Center.

Não desmereço o cinema do Bauru Shopping Center, pelo contrário, pois dispõe de excelente qualidade sonora e visual, principalmente com sua sala de exibição 3D, mas prefiro o Alameda por diversos motivos, entre eles o número reduzido de espectadores “barulhentos”, por assim dizer. Essa predileção, no entanto, é a causa de nossa uma reflexão: o pouco interesse por filmes ditos “alternativos” ou “cult”, como dizem atualmente.

Comecemos pelo elogio. É valoroso a disposição dos cinemas bauruenses em trazer para nossos deleites filmes que não fazem parte do habital círculo Hollywood-França-Inglaterra, principalmente os filmes latinoamericanos. Se desejamos avidamente por uma maior expansão da cultura mundial, temos no cinema uma grande diversidade de belos filmes.

Já a crítica fica para nós, bauruenses. Explico: ao entrar na sala de exposição do filme tomei-me de surpresa ao constatar que era a única pessoa! Um sentimento estranho de estar sozinho em uma sala muito grande com inúmeras cadeiras. O filme é o excelente mexicano “Sob a Mesma Lua”, que você pode ler uma simpática resenha aqui e ver o trailer e algumas fotos aqui.

Por um breve momento me senti privilegiado, pois não me preocuparia com barulhos e conversas paralelas que tanto me incomodam. Logo depois dei-me conta que era o único a apreciar o belo filme que me dispus a assistir. Para o contentamento da cultura, com 6 minutos de exibição do filme adentraram 4 pessoas. Poucas, admito.

Não estou desmerecendo os filmes hollywoodianos, dos quais também sou fã. Mas é necessário quebrar esse pensamento dos bauruenses que clamam por mais cultura e, quando as tem, não a valorizam. Espero que nos finais de semana, quando as pessoas consomem cultura, esse vazio não aconteça nas ótimas salas de cinema da cidade.