$ Hacked by ghost-dz
$ Osm Dz Attack

Vacinação também é humanização na saúde

Postado no dia 25/abril/2009 em Gastronomia, Política, Sociedade por Reginaldo Tech

Parece que o Bauru Blog está decidido mesmo a participar ativamente da realidade social da cidade e região. Expandindo temas, o Bauru Blog vai informando e servindo de veículo para a difusão democrática dos fatos, principalmente dentro de uma visão crítica e construtiva. E como não poderia deixar de ser, a saúde é um dos temas frequentes do nosso Blog.

Hoje é dia de campanha nacional de vacinação dos idosos contra a gripe. Serão oferecidas, gratuitamente, 21 milhões de doses contra gripe de hoje, dia 25 de abril, a 8 de maio para pessoas com 60 anos. A estratégia vai ajudar  a evitar internações e problemas de saúde, diz o ministro da saúde, José Gomes Temporão.

vacinacao_idososCom esta campanha dá para notar o interesse e a estrutura que o Ministério da Saúde tem. O problema, mais uma vez, é na ponta. Esta campanha é um verdadeiro multirão de humanização na saúde, pois a humanização não é simplesmente “atender sorrindo”, mascriar mecanismos e estratégias para o atendimento de qualidade, principalmente através da saúde preventiva.

Em Bauru, a secretaria de saúde, comandada pelo médico infectologista Fernando Monti, está toda voltada para a campanha, apesar da estrutura um tanto quanto caótica que existe na secretaria. Sobre isso, Fernando Monti já definiu estratégias e está agindo dentro do tempo de um organismo público, que é a máquina chamada secretaria da saúde, que tem hoje cerca de 1600 servidores (ou colaboradores, com diz a moderna gestão de pessoas).

Estamos a postos aqui no Bauru blog… não apenas para noticiar, pois não somos mídia tradicional, mas, principalmente para buscarmos os fatos e levá-los enquanto comentário de pessoas comuns. Esta é a nossa atitude de Blog. E vamos colaborando para disseminar a informação sobre o assunto. A humanização na saúde e a saúde preventiva são necessárias, por isso trabalho nesta área. A Humaniza Brasil, associação genuinamente bauruense que trabalha com projetos e treinamentos nas áreas da saúde e educação, também aproveita o momento para ajudar nessa divulgação.

Desrespeito com a terceira idade e com animais em Bauru

Postado no dia 15/abril/2009 em Comportamento, Generalidades, Sociedade por Gustavo Ferreira

Meu post de hoje é referente à uma denúncia que o colaboradores@baurublog.com.br recebeu de Rosana Orcini Bernardi.

Não sei muito bem como fazer chegar ao Prefeito Rodrigo Agostinho, o que vou relatar abaixo:

Como de costume semanalmente vou ao Cemitério da Saudade para cuidar do túmulo de familiares. Sempre fui agraciada pela presença de vários gatinhos no local. Mesmo sabendo que o cemitério é um local onde enterramos os nossos ente-queridos, nunca me importei com a presença destes animais, afinal, que culpa eles têm de serem abandonados ali? Por muitas vezes também observei uma senhorinha sexagenária, muito pobrezinha, dividindo com esses bichinhos o pouco de alimento e ração que obtinha por meio de doação. Admirava a humanidade desta pessoa…

Quando a gente acha que as coisas estão perdidas ao ver tanta violência na televisão, temos exemplos de pessoas com grandes corações, que fazem as coisas valerem a pena.

No entanto, fui surpreendida nesta semana ao chegar no cemitério. Entrei e não vi os gatinhos, mas pensei… “devem estar dormindo, já que está bem quente”, realizei a troca de plantas e a limpeza do túmulo de minha família e passei pela administração do cemitério para obter informações sobre os animais.

O que ouvi foi vergonhoso!… Soube que o novo diretor do local, Sr Perez, chamou o CCZ (zoonoses) para retirada dos animais, alegando reclamações de visitantes ( o que é extremamente questionável). Os animais que não foram recolhidos lá estão condenados a morrer de fome até que novamente o CCZ retorne para tentar tirar os outros animais que mais ariscos, fugiram. A senhorinha? Está proibida de entrar no interior do cemitério, responde a um processo no qual o Diretor Perez alega ter ela violado túmulos ( se vocês pudessem ver como ela é frágil, teriam a mesma certeza que eu tenho, ou seja, ela não conseguiria fazer uma violação nos túmulos) e ainda colocou 3 novos funcionários para retirar quaisquer alimento que por ventura esta senhorinha conseguir colocar escondida, no interior do cemitério.

Chega a ser patética a atitude desse diretor do cemitério… Que mal a senhorinha fazia a ele, aos familiares ou a qualquer indivíduo que por ali passasse? Ele não tem motivos sólidos nem base nenhuma para desrespeitá-la deste jeito…

O que gostaria de salientar diz respeito a crueldade com dois eixos da sociedade que são frágeis: os animais e o idoso. A intolerância percebida na atitude do diretor do Cemitério é tão grande que perpassa valores como “amor incondicional à vida” e “respeito aos mais velhos”, ou se quiserem “violação ao estatuto do idoso”. Não seria apenas uma ordem judicial a proibir alguém de ir ou vir? O que será feito desses animais no CCZ? Será respeitada a lei que vigora para o Estado de São Paulo com proibição a eutasia quando não houver doença no animal? O Prefeito Rodrigo Agostinho, tutor legal dos animais errantes, tem conhecimento disso? Como ambientalista essa atitude é pertinente aos valores que por toda sua vida ele tem divulgado? E afinal, a quem esses pobres animais, rejeitados por seres humanos, estão causando mal?
Gostaria muito de contar com vocês para que essa denúncia chegue ao Prefeito.
Obrigada
Rosana

Olha Rosana, eu não sei te dizer se o prefeito lê o BauruBlog, mas acredito que com esse post talvez a nossa indignação chegue até ele e algo possa ser feito em relação ao descaso com os animais e à senhorinha que não faziam mal nenhum a ninguém no cemitério. Se ele não lê espero que alguém que o conheça e leia, passe essas informações até ele.

Muito obrigado por nos avisar deste caso. Este é um espaço para discutirmos e divulgarmos o que acontece em Bauru e lutar pelos direitos dos cidadãos de bem desta cidade.

Olhos Anônimos

Postado no dia 4/dezembro/2008 em Generalidades, Sociedade por Glauciana Nunes

Pontuais. Ás quatro da tarde eles se encontram no coração da cidade para mais uma visita. Uma visita que parece mais alegrar os que vão do que os que são visitados. Com travessas de bolo e garrafas que transbordam o chocolate quente, aquelas senhoras, rapazes, moças e adolescentes se encaminham domingo sim domingo não para o Lar dos Desamparados, na rodovia Marechal Rondon, no limite do município de Bauru, interior de São Paulo.

Deixam suas famílias, seus domingos no parque, seus programas vespertinos para doarem um pouco de si àqueles que há muito perderam seus domingos, seus sábados, suas quartas. Não há mais diferença entre os dias da semana, afinal tudo parece sempre igual para aqueles tantos homens que vivem no espaço. Entre o verde do local, o vento da subida, a horta sempre viva e os cães que fazem companhia eles passam seus dias. Pouca família e muita história.

As 15 pessoas, mais ou menos, depende da semana, adentram o dormitório coletivo e mais adiante a ala dos convalecentes.

- A turma do barulho chegou, gritam animados.

Olhos anônimos e esquecidos levantam do cobertor poído. Alguns reconhecem a turma e logo se agitam, vindo ao encontro. Outros não se dão ao ruído e continuam, impassíveis, imóveis à movimentação. E há aqueles que não podem se mover, pois já não têm braços, pernas ou lucidez suficiente para coordenar os movimentos.

Um pouquinho de cada um vai ficando entre eles. E muito deles vai ficando entre nós. Uma conversa, um sorriso, um aperto de mão. É tudo o que eles precisam para ter um dia mais ensolarado, mais quente. A maioria deles foi abandonada ou abandonou a família. Os que têm algum tipo de renda, provavelmente a aposentadoria, são alojados em suítes, umas ao lado das outras num prédio separado. Ali têm um cantinho de sua vida com pôsteres, TVs – quase sempre transmitindo o jogo de futebol da rodada do domingo -, suas camas, seus pertences. O que lhes restou de uma vida lá de fora.

Muita história vive naqueles quartos solitários e únicos. Passando rapidamente pelo corredor sentimos, cheiramos, ouvimos e vemos as vidas continuando. Um emaranhado sinestésico que espanta até os mais céticos. De um quarto ouvimos um som alto. Elvis Presley anima aquela instalação. Batemos na porta e oferecemos um chocolate quente, mas não temos receptividade. O senhor não quer ser interrompido e diz que prefere curtir seu som. Mas uma das visitantes, uma pequena jovem se anima ao ouvir o som do ídolo e brada:

- Ei, o senhor está ouvindo Elvis!

Pronto, o dia está ganho. Na casualidade do encontro se fez uma aliança pautada no gosto comum de ambos. O senhor abriu a porta, mostrou sua coleção de discos de vinil do Rei do Rock e, juntos, conversaram animados, falando mais alto que o cantor, que insistia em cantar, embalando a sonora conversa.

Mais para frente, sentados ao pé de uma escadaria, ouvíamos o relato de outro morador do Lar contando sua experiência com as árvores e plantas na terra do sol nascente. Do outro lado do mundo, no Japão, tentando talvez encontrar a si mesmo, ele trabalhou com árvores. E hoje, com toda a sua experiência internacional, cuida delas ali em sua morada. Questionado sobre a sua família ele é enfático:

- A minha família sou eu e Deus.

Gaúcho forte e saudável, conhecedor das árvores.

E assim são eles, que enfeitam o nosso dia e nos fazem aprender a valorizar o muito que temos. Eles, que têm tão pouco, nos ensinam a amar o singelo. Ou seja, a vida!

____________________________________________

O Lar dos Desamparados de Bauru é uma organização que acolhe homens, sem família, em sua maioria com mais de 60 anos. Fica no quilômetro 15 da Rodovia Marechal Rondon, sentido Agudos, e é qualificado como uma instituição de utilidade pública e, dessa forma, recebe verbas do governo do Estado de São Paulo. Mesmo assim, recebe doações em dinheiro, roupas, remédios e carinho, muito carinho!