Hospital de Base: O caos no Segundo Fundos Par
Compartilhando desta necessária discussão em relação ao Hospital de Base/Associação Hospitalar, ouvi depoimentos de profissionais da saúde sobre a situação dos pacientes SUS (e sem “padrinhos”) mantidos na ala identificada popularmente como “Segundo Fundos”.
É estarrecedor saber que lá…
- Misturavam, em leitos vizinhos, portadores de HIV e doentes com tuberculose; pessoas esfaqueadas, com pacientes que tiveram derrames;
- Os remédios só eram disponibilizados aos pacientes UMA ÚNICA HORA do dia (15h) e se o paciente estivesse sofrendo, gemente, com prescrição de medicação desde as 8h da manhã, SOMENTE as 15horas ele receberia medicação (ficando sofrendo, gemente por 7 horas!!! ou mais); se por azar a medicação das 15 horas caísse no chão, derramada, o Paciente não tinha reposição e continuava sofrendo por muito mais horas;
- Quando pediam para chamar um médico, ouviam a frase: “médico nunca vem aqui, pode esquecer!”. O fato é que os pacientes não se esqueciam do Médico - o único profissional que poderia lhe tirar a dor (e até promover sua recuperação e cura) – mas informam que normalmente eles não eram vistos circulando nessa área.
- Os pacientes também ficavam sem comida; sem chá, suco, sem frutas e outros alimentos – NECESSÁRIOS a recuperação do organismo – por prolongados horários ou até dias. E pacientes recebiam “a mesma comida”, mesmo quando necessitavam de dietas diferenciadas, para cada caso e tratamento.
- Havia (ou ainda há) uma maca/cama, localizada junto à parede, cujos pés estavam quebrados e que ficava equilibrada sobre paus e tijolos. E - às vezes – quando precisavam movimentar um paciente – em elevada necessidade e urgência – esqueciam disso, afastavam essa cama da parede e ela despencava !! Caía!! “Desmoronava”, com o paciente. Óbvio que permaneceu assim por meses, com gente doente caindo, pois a Administração não providenciava a manutenção.
- Os funcionários do setor – como a maioria que está trabalhando na Prefeitura - acumula dupla ou tripla jornada de trabalho. Eles ganham tão mal que precisam trabalhar nos postos de saúde e outros hospitais, para tentarem garantir vida digna, em casa. Porém, por conta disso, trabalham 24 horas, 36 horas, SEGUIDAS. Eles são massacrados pela rotina de trabalho deles. Apesar de a legislação proibir plantões seguidos na rede municipal de saúde, essas jornadas acumuladas passam “despercebidas”, pois o sistema de controle “não identifica” quem trabalha nessas condições, em diferentes locais da administração municipal. Por um lado isso garante remuneração para esses profissionais conseguirem um mínimo de dignidade, mas por outro lado, tais profissionais – humanos – não conseguem produzir sem parar por 24 ou 36 horas. E no “segundo fundos par”, onde os médicos não costumam ir, eles até podiam descansar um pouco, mesmo que os pacientes ficassem um pouco abandonados.
- Todo o “segundo fundos par” é um setor doente!
- (nos anos 90 era conhecido internamente como “Vietnã”)
No “segundos fundos par” o caos era/é o padrão. O abandono dos seres humanos era/é o padrão.
De fato – agora se sabe – que a Administração tinha outras prioridades!! 16 milhões!!
Pagar empréstimo pessoal de 4 milhões!??!
Quem “emprestou” 4 milhões do próprio bolso para o Hospital??
Quem quer manter a ordem, quem quer criar desordem !!





